sábado, 13 de novembro de 2010

A Possibilidade de uma Ilha


Thursday, November 4, 2010 Post de Estante de Livros Autor: Michel Hou­el­le­becq
Título Ori­gi­nal: La Pos­si­bi­lité d’une Île (2005)
Edi­tora: Dom Qui­xote
Pági­nas: 393
ISBN: 9722030051
Tra­du­tor: Isa­bel St. Aubyn

Sinopse
A Pos­si­bi­li­dade de Uma Ilha é a his­tó­ria de Daniel, um cómico famoso, conhe­cido pelos seus monó­lo­gos cáus­ti­cos em que a pro­vo­ca­ção se mis­tura com uma visão fria e cruel da exis­tên­cia. O pro­ta­go­nista narra os últi­mos anos da sua vida, as suas rela­ções sexu­ais e amo­ro­sas com Isa­belle e com Esther, e o seu con­tacto com uma seita cujos mem­bros asse­gu­ram que o ser humano alcan­çará a imor­ta­li­dade.
Temas filo­só­fi­cos, soci­ais, polí­ti­cos e cien­tí­fi­cos, clo­na­gem e sexo, juven­tude e velhice, vio­lên­cia e desejo, são aqui abor­da­dos. Toda a força do pen­sa­mento de Hou­el­le­becq se revela nos rela­tos de Daniel1, Daniel24 e Daniel25 que, sepa­ra­dos por dois mil anos, se cru­zam numa trama onde as ideias põem o dedo na ferida.

Opi­nião
Acre­dito que quando par­ti­mos para uma lei­tura o nosso estado de espí­rito, assim como a von­tade de conhe­cer aquela obra/​autor, seja das coi­sas mais impor­tan­tes para que con­si­ga­mos ler com von­tade e interesse.

Por muito que um livro seja inte­res­sante, e que nos possa vir a mar­car, tem de exis­tir uma “chama” entre o lei­tor e a pró­pria obra para que a lei­tura da mesma flua natu­ral­mente e não for­çada. Para isso, nós, como lei­to­res, temos de estar pre­pa­ra­dos para aquilo que vamos encon­trar nas suas pági­nas. Ou pelo menos, de mente aberta, livres de pre­con­cei­tos e com pre­dis­po­si­ção para entrar­mos num mundo que, espe­ra­mos, traga algo de novo e agradável.

Isto tudo, para dizer que A Pos­si­bi­li­dade de uma Ilha foi daque­les livros que nos apa­rece em má altura, naquele tempo em que não esta­mos dis­pos­tos a entrar no uni­verso com que o autor nos pre­sen­teia. Ainda não per­cebi bem quais eram as expec­ta­ti­vas, e acre­di­tem, eram enor­mes, que eu tinha para este livro, mas ele “encontrou-​me” numa altura da minha vida em que não con­di­zia para estar a dedi­car o meu tempo a ele. Aliás, ainda não per­cebi bem o efeito que este livro teve em mim, ao ponto de não con­se­guir pontuar…

Não me lem­bro de ter lido um livro tão cínico, com uma crí­tica tão mor­daz e tão machista como este. Posso dizer que era cínico de tal forma que me irri­tou o quanto baste para não o con­se­guir ler até ao final. Tudo isso por­que vive­mos numa altura de pes­si­mis­mos des­ca­ra­dos, de tanta nega­ti­vi­dade, de tanto cinismo, quer por parte das pes­soas que nos gover­nam, quer por parte das pes­soas que se cru­zam con­nosco nas ruas, que não tive muita pachorra para ler uma obra de dimen­são tão negra e ácida. No fundo, pro­va­vel­mente, até tenho que reco­nhe­cer algum génio nesta obra; ela retrata o mundo de uma forma tão cruel, mas de alguma forma, tão lúcida, que nos faz sen­tir ver­mos um retrato de algo que não que­ría­mos que seja divulgado.

A his­tó­ria tem tudo para ser inte­res­sante, conhe­ce­mos Daniel, um humo­rista de sucesso, poli­ti­ca­mente incor­recto, que cami­nha para o seu final de car­reira, assim como Daniel 24 e Daniel 25, que são dois dos seus clo­nes que pro­cu­ram falar do pas­sado, ou melhor da sua ori­gem, enquanto deva­neiam em ques­tões filo­só­fi­cas e em viver num mundo e numa soci­e­dade irreconhecível.

Acre­dito que lido nou­tra altura e com outra dis­po­si­ção, seja uma obra inte­res­sante, mas, de facto, neste momento, não estava pre­pa­rado, nem com dis­po­si­ção, para lidar com obras cíni­cas, pois para isso temos os tele­jor­nais, os deba­tes polí­ti­cos, o orça­mento que passa ou não, o ódio em todo o lado, a vida nas ruas, as pes­soas que se quei­xam por tudo e por nada, etc, etc. Tal­vez um dia volte a ele. Ou ele me encon­tre nou­tro estado de espí­rito. — Ricardo

domingo, 5 de setembro de 2010

Livro: "Um Ateu Garante: Deus Existe"


Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.
Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (“Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.
Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.
O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.
Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.
Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.
¹Pág. 30²Pág. 41³Pág. 98


Resenha extraída do site: http://www.dotgospel.com/blog/um-ateu-garante-deus-existe-resenha/

Blair compra «inocência»



O antigo primeiro-ministro Tony Blair anunciou, na segunda-feira, 16, que doará a totalidade dos lucros da venda do seu livro de memórias a uma organização dedicada à reabilitação de veteranos de guerra.
O anúncio do donativo fez as parangonas da imprensa, num momento em que o antigo líder trabalhista é alvo de sérias acusações que o tornam pessoalmente responsável pelo desencadear da guerra no Iraque e no Afeganistão.

Não foi certamente um acaso que a organização escolhida para receber o donativo seja a Battle Back Challenge Centre, um centro de reabilitação de estropiados da guerra que será aberto em 2012 pela Royal British Legion. Para Blair é uma forma de «reconhecer o enorme sacrifício que fizeram pela segurança do nosso povo e do mundo», segundo declarou o seu porta-voz.

Já para a coligação Stop the War (parem a guerra), a operação é meramente de cosmética através da qual Blair pretende «comprar a inocência». «As guerras do Iraque e do Afeganistão resultaram na morte sem sentido de centenas de soldados britânicos e de milhares de civis inocentes. Nenhum dinheiro lavará o sangue das suas mãos», declarou um porta-voz da coligação antiguerra britânica.


Crimes de guerra


Entretanto acumulam-se os factos que justificariam a condenação de Blair como criminoso de guerra. Segundo um artigo do jornalista britânico, John Pilger, na revista The New Statesman (04.08), para além das vítimas mortais, que algumas universidades calculam em mais de um milhão de mortos, há ainda a contabilizar quatro milhões de deslocados iraquianos e uma maioria de criança que sofrem de traumatismos e subnutrição. O número de casos de cancro nas cidades de Falloujah, Najaf et Basra (esta última «libertada» pelos britânicos) é superior aos registados em Hiroxima.

Em 22 de Julho passado, o secretário da Defesa, Liam Fox, declarou no parlamento que «as forças britânicas utilizaram, em 2003 no Iraque, 1,9 toneladas de munições com urânio empobrecido» Outras armas antipessoais tóxicas, como bombas de fragmentação, foram empregues pelas forças britânicas e americanas.

Esta carnificina, sublinha John Pilger, foi justificada por uma série de mentiras sucessivamente denunciadas. Em 28 de Janeiro de 2003, Blair declarou no parlamento: «Sabemos que existem ligações ente a Al-Quaeda e o Iraque». No mês passado, a antiga directora-geral das informações do MI5, Eliza Manningham-Buller, declarou perante a comissão de inquérito Chilcot: «Não existe nenhuma informação credível que indique tais ligações (…) [foi a invasão] que proporcionou a Ossama Ben Laden a oportunidade para uma jihad no Iraque». E interrogada sobre de que forma a invasão aumentou o perigo de terrorismo contra a Grã-Bretanha, a antiga responsável do MI5 respondeu: «significativamente».

Documentos publicados pelo tribunal supremo provam que cidadãos britânicos foram sequestrados, detidos e torturados com o conhecimento de Blair. Em Janeiro de 2002, Jack Straw, então ministro dos Negócios Estrangeiros, decidiu que a prisão de Guantánamo era a «melhor forma» de garantir que cidadãos britânicos permanecessem «detidos com segurança».


O dinheiro da guerra


Desde que deixou o cargo de primeiro-ministro, Tony Blair acumulou uma importante fortuna que é estimada, segundo Pilger, em 20 milhões de libras esterlinas (24,3 milhões de euros). Uma grande parte deste dinheiro, Blair deve-o às estreitas relações com a administração Bush. Embora não se conheça quanto recebeu pelos «conselhos» que prestou à família real koweitiana, nem ao gigante petrolífiero sul-coreano UI Energy Corporation, é publico que aufere anualmente cerca de dois milhões de libras como conselheiro do banco JP Morgan, a que se juntam remunerações de outras entidades financeiras, bem como milhões que lhe são pagos pelos discursos. Só um deles, proferido na China, rendeu-lhe 200 mil libras.

O jornalista britânico não esquece igualmente o trabalho «benévolo» de Blair enquanto «emissário de paz» no Médio Oriente. Para além das despesas de deslocação, Israel concedeu recentemente ao «emissário» um milhão de dólares a título de «prémio da paz». Concluindo, John Pilger sublinha que a fortuna de Blair aumentou rapidamente depois de ter desencadeado com George W. Bush um banho de sangue no Iraque.
http://www.avante.pt/pt/1916/europa/110111/

Lucro de memórias destinado à caridade....




Há muito mais em Tony Blair - A Journey (Uma Viagem, um título mais modesto do que a versão pré-anunciada de Tony Blair - A Viagem) do que o ajustar de contas que ontem encheu as manchetes dos jornais e das televisões. Há o Iraque e a defesa de uma decisão que marcou o seu legado como primeiro-ministro; revelações como a de que bebia "perto do limite" e que isso o ajudava a lidar com o stress; revelações sobre os bastidores do poder e uma avaliação orgulhosa de um "grande governo reformista". Mas nada é tão forte como as palavras que dedica ao seu ex-ministro das Finanças e ao conflito surdo que mantiveram durante anos.

"As memórias de Tony Blair fazem-me lembrar a extraordinária entrevista da princesa Diana ao [programa] Panorama. Confirmam que aquilo que foi noticiado sobre o que acontecia nos bastidores era apenas metade da história", escreveu no seu blogue o editor de política da BBC, Nick Robinson. Uma das histórias nunca contadas é a da suposta chantagem feita em Março de 2006, na "mais feia das reuniões" entre os dois: Blair conta que Brown terá ameaçado explorar o escândalo que na altura ensombrava o Governo (a troca de lugares na Câmara dos Lordes por doações ao Labour) se Blair não travasse a reforma do sistema de pensões - o que acabou por suceder.

http://www.publico.pt/Mundo/blair-diz-que-brown-foi-o-desastre-politico-que-ele-previu-mas-nao-conseguiu-evitar_1454042

domingo, 29 de agosto de 2010

A SENHORA DAS ESPECIARIAS


Este romance indiano parece-se mais com uma fábula ou uma lenda que conta a história de uma indiana que é uma espécie de maga, e é enviada para cuidar de uma loja de especiarias em São Francisco, nos Estados Unidos. Tilo, este é seu nome, é uma mulher fascinante, que após um longo ritual, passa a dominar os segredos milenares do bom uso das especiarias e conhece bem todas as propriedades mágicas de cada erva, ela não é um ser humano comum, seus olhos enxergam muito além das aparências, seus ouvidos ouvem os corações e ela sabe entender o mais secreto dos pensamentos. Tilo tornar-se-á imortal, se cumprir algumas condições, entre elas não fraquejar diante do desejo carnal. Tilo tem uma receita especial para cada cliente que entra em sua loja, ela é uma mulher velha e feia, mas solidária, que põe os seus poderes a serviço dos menos favorecidos de sua comunidade. Um dia, Tilo descobre o quanto pode ser frágil e humana, quando Raven, um belo e jovem rapaz entra em sua loja, deixando-a perdidamente apaixonada. Apesar da diferença de idade entre os dois ser de quase 30 anos o romance dá certo. Neste livro onde os cheiros, os sabores e as cores nos dominam, cada capítulo tem o nome de uma especiaria. A autora traça um perfil da comunidade de imigrantes indianos, divididos entre seus valores tradicionais e o tão desejado sonho americano.
Publicado em: agosto 29, 2007

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Karl Marx e Friedrich Engels


Um dos mais influentes documentos políticos de sempre, o Manifesto do Partido Comunista foi publicado pela primeira vez a 21 de Fevereiro de 1848. Da autoria de Karl Marx e Friedrich Engels, consiste numa abordagem analítica da luta de classes e dos problemas do capitalismo. Por sua vez, os Manuscritos Económico-Filosóficos reúnem uma série de notas de Karl Marx, redigidas entre Abril e Agosto de 1844, mas editadas apenas em 1932. A propriedade privada, o comunismo e o capital são alguns dos assuntos focados.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pode a literatura pôr fim a uma vida de crime?


Nos Estados Unidos da América, vingou um programa que se chama Mudando Vidas através da Literatura: em vez de mandar o réu para a prisão, a juiz manda-o ler e discutir boa literatura - Em Portugal, não há nada parecido.

Robert Waxler, professor de Inglês na Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, acabara de jogar uma partida de ténis com Bob Kane, juiz do tribunal distrital de New Bedford. Sentaram-se, ainda a transpirar, para conversar um pouco. O magistrado queixou-se da Justiça, que já lhe parecia uma espécie de torniquete do sistema prisional: prendia e libertava e tornava a prender. O amigo, dono de uma fé inabalável no poder da literatura, viu ali uma oportunidade: "Vamos fazer uma experiência. Vais pegar em oito homens que te apareçam pela frente nas próximas semanas e, em vez de os mandares para a cadeia, manda-los a um seminário de literatura na universidade. Eu arranjo a sala, escolho os livros e oriento as discussões." O académico recordou aquele episódio numa entrevista que deu à Mass Humanities. Fê-lo enfatizando a coragem do juiz por admitir que ler e discutir boa literatura podiam ser uma alternativa à prisão - sem qualquer evidência científica ainda. Pediu-lhe para escolher "rapazes duros". E ele, com a ajuda do técnico de reinserção social Wayne St. Pierre, escolheu oito homens, no mínimo com o 8.º ano de escolaridade, que somavam 145 condenações.

Esta é a génese do programa Mudando Vidas através da Literatura, que arrancou em 1991 em Massachusetts e funciona agora em diversos estados norte-americanos - incluindo o Texas, senhor de uma das maiores taxas de encarceramento do planeta e um dos que mais aplicam a pena de morte. Em quase 20 anos, milhares de condenados leram e debateram obras como O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. "As histórias funcionam como um espelho", explicou Robert Waxler ao jornal New York Times. Ao lê-las, uma pessoa pode perceber quem é e o que quer ser. Não só os condenados, também os técnicos de reinserção social e os juízes que participam nas sessões.

O modelo diversificou-se. A par das turmas masculinas, surgiram as femininas e as mistas. Em vez de seis sessões em 12 semanas, algumas fazem sete em 14 ou dez em dez. Há quem tenha trocado a novela pelo ensaio, o conto ou a poesia. E até quem tenha levado o programa para trás das grades. O ideólogo vê em tudo isto uma força. Parece-lhe que o essencial é usar a literatura - deixar que a palavra faça as pessoas mais pessoas. O juiz Joseph Dever, do tribunal distrital de Lynn, marca presença nos seminários pensados para mulheres no Colégio Middlesex. "Eu chamo-lhe a alegria do meu juízo", comentou com a Read Fordham Magazine. "Normalmente, à terceira semana, uma pessoa está a falar de uma personagem e outra diz: "Oh meu Deus, isso sou eu!"" Tem reflectido muito sobre isto: "Muitas pessoas que cometem crimes estão absorvidas por si próprias. Ao mesmo tempo, têm pouca auto-estima. O que o programa faz é atacar esse problema directamente. Ao ler estes livros e ao identificarem-se com as personagens, passam a ver a vida de uma forma mais objectiva."

Grande parte das mulheres com que se cruza naquela sala foi condenada por diversos crimes - como posse, consumo ou tráfico de droga, prostituição, condução sob efeito de álcool. Como é que decide quem é que entra na cadeia e quem é que entra ali? "Não há nada de matemático. Tem de haver um grau elevado de motivação e um grau mínimo de literacia."

Surpreendem alguns testemunhos. Esta semana, o jornal britânico The Guardian contava a história de Mitchell Rouse, que enfrentava uma sentença de 60 anos por droga (reduzíveis a 30, se se confessasse culpado). O técnico de raio-X experimentava um stress laboral severo. Recorreu ao consumo de anfetaminas para aguentar as 80 horas de trabalho semanais no hospital. A sua vida degradou-se. Já a temer vê-lo morto, a mulher alertou as autoridades. Cinco anos volvidos, ele acha que lhe aconteceu "um milagre": "O programa mudou a maneira como olho para a vida. Fez-me acreditar no meu potencial. No grupo, não estás enganado, também não estás necessariamente certo, mas a tua opinião é tão válida como a de qualquer outro." O coordenador do seu grupo, Larry Jablecki, da Universidade de Rice, em Houston, socorre-se de textos de Sócrates, Platão, Stuart Mill. Mitchell, que deixou as drogas, recuperou a família e trabalha na construção civil, adorou as ideias de Mill e já pensa em fazer um doutoramento em Filosofia.

Estranho? O Mudando Vidas através da Literatura parece "menos exótico", quando se sabe que muitas sentenças forçam à frequência dos 12 passos, um programa de auto-ajuda muito usado no tratamento de dependências químicas ou compulsões, escrevia o New York Times. A diferença é que, aqui, a narrativa não resulta das vivências dos participantes.

Podia um programa destes funcionar em Portugal? Podia, no âmbito da suspensão da execução de pena de prisão, respondem António Martins, presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses, e Rui Cardoso, secretário-geral do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. De acordo com o Código Penal, um tribunal pode suspender uma pena até cinco anos, "se concluir que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição". E, nesse caso, pode mandar a pessoa cumprir deveres ou observar regras de conduta e até determinar que a medida seja acompanhada de regime de prova - ou seja, de um plano de reinserção social que deve ser pensado caso a caso e vigiado por um técnico. Os deveres podem passar por pagar uma indemnização ao lesado ou dar-lhe uma satisfação moral; e as regras de conduta podem passar por não exercer determinada profissão ou frequentar actividades ou programas - por exemplo, fazer um tratamento de toxicodependência.

Não há, nos programas previstos, algo parecido com o Mudando Vidas através da Literatura. Mas nada, na lei, impede a Direcção-Geral de Reinserção Social de o criar, torna Rui Cardoso. E de o propor. "Tudo o que sejam medidas alternativas à prisão pode ser útil", comenta o psicólogo criminal Carlos Poiares. E são conhecidos os efeitos terapêuticos das várias formas de arte. Abundam, de resto, exemplos de recurso à arte dentro das cadeias. No Estabelecimento Prisional do Porto apareceu o coro Ala dos Afinados, impulsionado pelo Serviço Educativo da Casa da Música, por exemplo. E, ainda em Maio, 30 reclusos deram corpo a um espectáculo de "teatro do oprimido", projecto coordenado por Hugo Cruz, da associação Pele - Espaço de Contacto Social e Cultural, integrado na décima edição do Imaginarius, Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira.

Reincidência diminui

António Martins pensa em "pessoas que, enquanto crianças e jovens, não tiveram uma educação que lhe permitisse adquirir os valores adequados, ter autocrítica sobre os seus comportamentos". E admite que a leitura possa levá-las por esse caminho. O indivíduo confronta-se com a vida heróica de uma personagem e algo se altera dentro dele. "Pode ganhar consciência de que o crime não é um destino. Se calhar, é fruto de circunstâncias, mas há a opção de continuar ou de parar e ter uma nova vida - se calhar, de sacrifício, de dificuldade."

Parece claro que uma coisa destas não serve para qualquer um. "Tem de saber interpretar textos para haver identificação", sublinha Carlos Pinto de Abreu, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados. "A leitura obriga a uma grande capacidade de abstracção. [Mudar através dela] implica parar, pensar, fazer alguma projecção."

"Não se pode agir por palpite", como diz Rui Cardoso. "É preciso aferir os resultados." E não foram tudo rosas nos EUA. Robert Waxler refere pais chocados por haver condenados a frequentar seminários que os filhos têm de pagar. Aos oponentes diz que o Estado gasta 500 dólares por cabeça, em vez de gastar três mil por cada ano de prisão. E que a reincidência diminui para metade. Mas o estudo que dá tal resultado foi feito com uma amostra de 100 indivíduos.E a exigência ao nível da literacia torna o grupo selecto. Mesmo assim, o Reino Unido já está a aplicar uma versão do programa em diversas cadeias.

http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=262236

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um ouriço na tempestade


Stephen Jay Gould
Um dos vários livros deste biólogo genial do século XX. Infelizmente S. Jay Gould já não se encontra entre nós. Ele foi um dos maiores génios da biologia de sempre, especializado em biologia evolutiva, e talvez o maior e melhor conhecedor de Darwin. Era professor de biologia, geologia e história da ciência na Universidade de Harvard. Senhor de um nível de cultura elevado, profundamente conhecedor das teorias da evolução e da História que as envolve, Stephen Jay Gould desmascara uma série de verdades neste livro apaixonante. A história da dupla hélice de Watson e Crick e o aproveitamento do génio de Barbara McClintock, as teorias absurdas e chocantes de Arthur Jensen e a vida de Ernest Everett Just são alguns dos temas desenvolvidos neste livro.
Livro divertido onde se aprende muito, escrito por alguem que sempre soube ser um bom crítico. Um Ouriço na Tempestade é uma recensão de vários livros.
...
" Darwin, por exemplo, teve uma bem sucedida carreira de geólogo antes de ter publicado uma palavra que fosse acerca da origem das espécies, mas quantos dos seus admiradores e detractores saberão que foi ele quem resolveu o problema da origem dos atóis de coral?"
...
"Se conseguirmos, em seguida, admirar os pandas por aquilo que são, e até aprender com eles algumas das lições que a diversidade da natureza sempre tem a dar, entenderemos enfim, e com grande vantagem para nós, quer em termos espirituais quer em termos práticos, aquilo a que Huxley chamava, na linguagem do seu tempo, «o lugar do homem na natureza»."

A Poluição Invisível


A Poluição Invisível
Mohamed Larbi Bouguerra
Um livro terrorificamente educativo. Como o próprio título indica, este livro fala-nos da poluição que costumamos ouvir falar, daquela mais desapercebida, mais esquecida e, muitas vezes, negligenciada.
Abrangendo temas como a ética, as embalagens alimentares, os poluentes que afectam a nível reprodutor ou ainda os metais pesados e os organoclorados, neste livro navegamos por quase todas as fontes de poluição química. O autor fala-nos de casos reais (incluíndo um na Madeira!), do funcionamento dos princípios que sustentam a investigação, da relação universidades - empresas (e sua frequente promisquidade), enquadrando sempre tudo no seu contexto histórico, social e económico. É um livro interessante para o público em geral e, penso eu, fundamental para todos aqueles que desejam dedicar-se e trabalhar na área ambiental. Conhecer melhor a realidade do nosso mundo é ter mais certezas de que o próximo passo seja mais acertado. A realidade que nos dá a conhecer o autor é habitualmente camuflada e pouco divulgada para a opinião pública. Confesso que desejei emigrar para Marte mais ou menos a meio do primeiro capítulo, mas convenhamos que a intensidade do livro (e talvez a sensação de alarmismo que se desprende na sua leitura) é própria de algo cujo objectivo é abrir a mente e os olhos para uma ideia nova, real e preocupante. O mundo não está à beira do colapso como tanto fanáticos têm defendido, mas seguramente que está doente, cansado, intoxicado e algo temos de reformular na nossa postura e posição perante aquela que é no fundo a nossa única casa.

A Fórmula de Deus


José Rodrigues dos Santos

Talvez a mais bela surpresa literária que tive até hoje! Não sendo um apreciador de romances e talvez menos ainda um admirador do trabalho deste jornalista, tenho de admitir que este seu livro é uma história interessante e recheada de boa investigação científica.
O livro é um romance na sua essência, no entanto o enredo desenrola-se num novelo científico interessante que nos leva a ver o mundo com outros olhos. Tenho que admitir que a parte final talvez seja ficcção científica pura (ou talvez não...), mas globalmente a ciência está bem retratada, bem explicada e bem fundamentada através de diálogos curiosos, como este:

“Mas os gafanhotos são máquinas naturais. Os computadores são máquinas artificiais.”
[...]
“Olha ali para as aves. Os ninhos que eles constroem nas árvores são naturais ou artificiais?”
[...]
“São naturais, claro.”
[...]
“Então tudo o que o homem faz também é natural. Nós, que temos um conceito antropocêntrico da natureza, é que dividimos tudo entre coisas naturais e coisas artificiais, sendo que definimos que as artificiais são feitas pelos homens e as naturais feitas pela natureza, pelas plantas e pelos animais. Mas isso é uma convenção humana. A verdade é que, se o homem é um animal, tal como as aves, então é uma criatura natural, certo?”
[...]
“Sendo uma criatura natural, tudo o que ele faz é natural. Logo, as suas criações são naturais, da mesma maneira que o ninho feito pelas aves é uma coisa natural.”
[...]
“O que eu quero dizer é que tudo na natureza é natural. Se o homem é um produto da natureza, então tudo o que ele faz também é natural. Apenas por uma convenção de linguagem se estabeleceu que os objectos que ele cria são artificiais, quando, na verdade, são tão naturais quanto os objectos que as aves criam. Logo, sendo criações de um animal natural, os computadores, tais como os ninhos, são naturais.”


A história envolve um casal apaixonado, um professor desaparecido, viagens ao Irão e ao Tibete, perseguições ao estilo Indiana Jones, conspirações quase Kafkianas e constantes parêntisis científicos tipo Bill Bryson.
É um livro interessante, uma história cativante. A leitura recomenda-se e é perfeito para quem gosta de romances e se interessa pela ciência, mas que não consegue ler os entediantes livros puramente científicos.
...
“É verdade que as leis do universo têm os atributos que nós geralmente relacionamos com Deus, mas isso acontece por razões naturais, não por razões sobrenaturais. As leis do universo têm esses atributos porque é essa a sua natureza. Por exemplo, elas são absolutas porque não dependem de nada, afectam os estados físicos mas não são afectadas por eles. São eternas porque não mudam com o tempo, eram as mesmas do passado e continuarão certamente a ser as mesmas no futuro. São omnipotentes porque nada lhes escapa, exercem a sua força em tudo o que existe. São omnipresentes porque se encontram em qualquer parte do universo, não há umas leis que se aplicam aqui e outras diferentes que se aplicam ali. E são omniscientes porque exercem automaticamente a sua força, não precisam que os sistemas as informem da sua existência.”
...
“A origem das leis do universo constitui um grande mistério. É verdade que essas leis têm todos os atributos que normalmente nós conferimos a Deus [...] Mas, atenção, o facto de não conhecermos a sua origem não implica necessariamente que elas provenham do sobrenatural. [...] usamos o sobrenatural para explicar o que ainda não sabemos, mas que tem explicação natural. Se usarmos o sobrenatural de cada vez que não sabemos algo, estamos a recorrer ao Deus-das-lacunas. Daqui a algum tempo descobrir-se-á a verdadeira causa e nós fazemos figura de parvos. A Igreja, por exemplo, fartou-se de usar o Deus-das-lacunas para explicar coisas que antigamente não tinham explicação, e depois sofreu o enorme embaraço de ter de se desdizer quando foram feitas descobertas que desmentiam a explicação divina. Copérnico, Galileu, Newton e Darwin são os casos mais conhecidos. [...] existe um determinado número de propriedades do universo que me impedem de afirmar liminarmente que Deus não existe. A questão da origem das leis fundamentais é uma delas. A sua existência serve para nos lembrar que se esconde um grande mistério por detrás do universo.”

domingo, 27 de junho de 2010

"Caim" é o novo romance de José Saramago, e Deus é uma das personagens principais



"Saramago escreveu outro livro", anuncia a mulher do escritor e presidente da Fundação José Saramago num texto colocado no blogue "O Caderno de Saramago", recordando que surge um ano depois do lançamento do anterior, "A Viagem do Elefante". A nova obra literária "não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra", descreve Pilar del Río.

Assinala ainda que em "Caim", tal como nos anteriores livros - e dá o exemplo de "O Evangelho segundo Jesus Cristo" - "o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável". Esse objecto de análise no romance é "a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros - uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus", aponta.

Em 1991, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" causou acesa polémica em Portugal, e viria a ser vetado pelo governo à época para concorrer ao Prémio Europeu de Literatura, iniciativa que pesou na decisão do escritor para abandonar o país e passar a residir em Lanzarote, Espanha.

Pilar del Río sublinha ainda no blogue: "Com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um livro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia".

"Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos", escreve ainda a presidente da Fundação Saramago no texto. Quase a concluir, Pilar del Río classifica o romance de José Saramago, 86 anos, como "literatura em estado puro".

Filho primogénito de Adão e Eva segundo o Antigo Testamento da Bíblia, Caim sentiu ciúmes por Deus ter preferido as ofertas feitas pelo irmão mais novo, Abel, e matou-o, cometendo o primeiro homicídio na história da Humanidade.

"Caim" vai ser lançado em Outubro pela Editorial Caminho na Feira do Livro de Frankfurt e no final do mês estará à venda nas livrarias em Portugal, Espanha e América Latina.
http://www.publico.pt/Cultura/caim-e-o-novo-romance-de-jose-saramago-e-deus-e-uma-das-personagens-principais_1397984

"Dormir Nu é Ecológico"


Ao longo de 366 dias, Vanessa Farquharson partilhou num blogue dedicado à ecologia – http://greenasathistle.com – a sua postura verde de alguém que tentou alcançar objectivos amigos do ambiente.

O livro resultou numa compilação de reflexões, experiências, alegrias e frustrações reveladas a bloguistas e activistas que tal como Vanessa mostram interesse na preservação da natureza e defesa do ambiente.

A principal conclusão que a autora retirou e quis mostrar a todos os habitantes do planeta é que se cada um alterar simples gestos, poderá apagar as pegadas ecológicas e tomar consciência de que tudo se resume a uma questão de postura.

"Dormir Nu é Ecológico" não é meramente um livro de dicas, não defende uma postura eco-chic, mas antes tenta transformar o quotidiano de pessoas comuns em direcção a um movimento verde com capacidade de transformar qualquer eco-céptico num ambientalista convicto.

Exemplos ecológicos abordados no livro:
- dormir nu, sem qualquer recurso a peça de roupa
- utilizar a bicicleta e os passeios pedestres em vez do carro
- desligar o frigorífico
- não utilizar produtos descartáveis e sim recicláveis
- comer alimentos ecologicamente produzidos e cultivados localmente
- lavar o cabelo com vinagre, em vez de champô.

quarta-feira, 31 de março de 2010

A ALMA ESTÁ NO CÉREBRO


Sinopse
Emoções, ideias, medos, desejos, espiritualidade... e tantos outros aspectos da nossa vida que nos caracterizam como seres humanos derivam das complexíssimas operações do nosso cérebro. Quando nos interrogamos acerca de nós próprios, são muitas as perguntas que surgem: é a alma o resultado, tão-só, de reacções químicas e eléctricas? O amor, um aspecto tão relevante da nossa existência, depende de meras ligações neuronais? O pensamento das outras pessoas pode ser manipulado? Será que os artistas têm um cérebro diferente? Teremos nós o mesmo cérebro que os nossos antepassados da Idade da Pedra? A quantidade de perguntas que o cérebro e a sua maneira de funcionar suscitam é infinita. Cientistas, filósofos, artistas, enfim...
todos os grandes pensadores ao longo dos tempos se sentiram atraídos por este enigma; mas agora, por fim, nos séculos XX e XXI, têm vindo a ser descobertas as soluções do que antes pareciam mistérios insondáveis. Este livro, que coloca as perguntas que todos nós fazemos aproxima-nos, pela mão de Eduardo Punset, das reflexões dos investigadores mais relevantes, e permite-nos penetrar, a partir de uma posição privilegiada, nesse grande segredo que é o cérebro.

quinta-feira, 11 de março de 2010

www.jornaiserevistas.com.

leitura diária

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