sábado, 13 de novembro de 2010

A Possibilidade de uma Ilha


Thursday, November 4, 2010 Post de Estante de Livros Autor: Michel Hou­el­le­becq
Título Ori­gi­nal: La Pos­si­bi­lité d’une Île (2005)
Edi­tora: Dom Qui­xote
Pági­nas: 393
ISBN: 9722030051
Tra­du­tor: Isa­bel St. Aubyn

Sinopse
A Pos­si­bi­li­dade de Uma Ilha é a his­tó­ria de Daniel, um cómico famoso, conhe­cido pelos seus monó­lo­gos cáus­ti­cos em que a pro­vo­ca­ção se mis­tura com uma visão fria e cruel da exis­tên­cia. O pro­ta­go­nista narra os últi­mos anos da sua vida, as suas rela­ções sexu­ais e amo­ro­sas com Isa­belle e com Esther, e o seu con­tacto com uma seita cujos mem­bros asse­gu­ram que o ser humano alcan­çará a imor­ta­li­dade.
Temas filo­só­fi­cos, soci­ais, polí­ti­cos e cien­tí­fi­cos, clo­na­gem e sexo, juven­tude e velhice, vio­lên­cia e desejo, são aqui abor­da­dos. Toda a força do pen­sa­mento de Hou­el­le­becq se revela nos rela­tos de Daniel1, Daniel24 e Daniel25 que, sepa­ra­dos por dois mil anos, se cru­zam numa trama onde as ideias põem o dedo na ferida.

Opi­nião
Acre­dito que quando par­ti­mos para uma lei­tura o nosso estado de espí­rito, assim como a von­tade de conhe­cer aquela obra/​autor, seja das coi­sas mais impor­tan­tes para que con­si­ga­mos ler com von­tade e interesse.

Por muito que um livro seja inte­res­sante, e que nos possa vir a mar­car, tem de exis­tir uma “chama” entre o lei­tor e a pró­pria obra para que a lei­tura da mesma flua natu­ral­mente e não for­çada. Para isso, nós, como lei­to­res, temos de estar pre­pa­ra­dos para aquilo que vamos encon­trar nas suas pági­nas. Ou pelo menos, de mente aberta, livres de pre­con­cei­tos e com pre­dis­po­si­ção para entrar­mos num mundo que, espe­ra­mos, traga algo de novo e agradável.

Isto tudo, para dizer que A Pos­si­bi­li­dade de uma Ilha foi daque­les livros que nos apa­rece em má altura, naquele tempo em que não esta­mos dis­pos­tos a entrar no uni­verso com que o autor nos pre­sen­teia. Ainda não per­cebi bem quais eram as expec­ta­ti­vas, e acre­di­tem, eram enor­mes, que eu tinha para este livro, mas ele “encontrou-​me” numa altura da minha vida em que não con­di­zia para estar a dedi­car o meu tempo a ele. Aliás, ainda não per­cebi bem o efeito que este livro teve em mim, ao ponto de não con­se­guir pontuar…

Não me lem­bro de ter lido um livro tão cínico, com uma crí­tica tão mor­daz e tão machista como este. Posso dizer que era cínico de tal forma que me irri­tou o quanto baste para não o con­se­guir ler até ao final. Tudo isso por­que vive­mos numa altura de pes­si­mis­mos des­ca­ra­dos, de tanta nega­ti­vi­dade, de tanto cinismo, quer por parte das pes­soas que nos gover­nam, quer por parte das pes­soas que se cru­zam con­nosco nas ruas, que não tive muita pachorra para ler uma obra de dimen­são tão negra e ácida. No fundo, pro­va­vel­mente, até tenho que reco­nhe­cer algum génio nesta obra; ela retrata o mundo de uma forma tão cruel, mas de alguma forma, tão lúcida, que nos faz sen­tir ver­mos um retrato de algo que não que­ría­mos que seja divulgado.

A his­tó­ria tem tudo para ser inte­res­sante, conhe­ce­mos Daniel, um humo­rista de sucesso, poli­ti­ca­mente incor­recto, que cami­nha para o seu final de car­reira, assim como Daniel 24 e Daniel 25, que são dois dos seus clo­nes que pro­cu­ram falar do pas­sado, ou melhor da sua ori­gem, enquanto deva­neiam em ques­tões filo­só­fi­cas e em viver num mundo e numa soci­e­dade irreconhecível.

Acre­dito que lido nou­tra altura e com outra dis­po­si­ção, seja uma obra inte­res­sante, mas, de facto, neste momento, não estava pre­pa­rado, nem com dis­po­si­ção, para lidar com obras cíni­cas, pois para isso temos os tele­jor­nais, os deba­tes polí­ti­cos, o orça­mento que passa ou não, o ódio em todo o lado, a vida nas ruas, as pes­soas que se quei­xam por tudo e por nada, etc, etc. Tal­vez um dia volte a ele. Ou ele me encon­tre nou­tro estado de espí­rito. — Ricardo

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