domingo, 5 de setembro de 2010

Livro: "Um Ateu Garante: Deus Existe"


Antony Flew, um dos mais conceituados filósofos da contemporaneidade, autor de trinta obras filosóficas e defensor do ateísmo durante cinqüenta anos, se dispõe a mostrar de forma clara e objetiva, provas consideradas incontestáveis para a defesa do teísmo em seu mais recente livro: “Um ateu garante: Deus existe“. Apesar de o título soar um pouco clichê e contraditório para alguns, o conteúdo é de grande riqueza, o qual abrange argumentos de Filosofia, Física, Biologia e outras áreas da ciência. Ainda ateu, Flew ressuscitou o teísmo racional; com a necessidade de defesa, filósofos cristãos ressuscitaram uma área da religião que há tempos não tinha nenhum progresso: a filosofia.
O livro é dividido em duas partes. Na primeira, intitulada “Minha negação do divino”, o autor revela em três capítulos sua caminhada desde a infância até sua escolha pelo ateísmo; sua criação em um colégio metodista; a influência do pai também pastor e sua posterior escolha pelo ateísmo. É sincero ao tomar a postura de que nunca teve uma única experiência considerada sobrenatural e nenhum interesse por religião: “Ir à capela ou à igreja, recitar orações e praticar outros atos religiosos eram, para mim, quase apenas deveres cansativos“¹; O livro também explicita que o problema do mal visto através do resultado da Segunda Guerra Mundial teve papel importante em suas escolhas.
Quando entra na faculdade em Oxford, Flew tem o privilégio de participar do Socratic Club, clube presidido por C.S Lewis, o “mais eficiente defensor do cristianismo da segunda metade do século XX“², segundo o filósofo. A partir do contato com esse grupo e principalmente com o argumento socrático máximo do clube (“Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar“), Flew começa a questionar argumentos, até então estáticos, de filósofos como Locke, Hume, Kant e Russell. Avança, assim, na discussão da filosofia em um contexto geral e mais a frente nos argumentos ateus. Seus livros abordavam a questão do teísmo com grande abrangência; os argumentos não eram únicos, se utilizava do problema do mal, do determinismo, do ônus da prova da existência ou não de uma entidade superior, da causa inicial, de uma inteligência superior e vários outros argumentos históricos e científicos.
Já na segunda parte, denominada “Minha descoberta do divino”, as idéias, antes utilizadas para o ateísmo de forma até então irrefutável para alguns, são esmiuçadas de maneira racional no sentido real da palavra. A proposição de que somente com a razão é possível aprender sobre a existência e a natureza de Deus é retomada, nas palavras do próprio autor: “Eu também não alego ter tido qualquer experiência pessoal a respeito de Deus nem do que pode ser descrito como sobrenatural ou miraculoso. Resumindo, minha descoberta do Divino tem sido uma peregrinação da razão, não da f铳.
O uso de argumentos científicos é abundante para a prova de que há uma inteligência superior. A Cosmologia e a Física são duas áreas bastante abordadas nesse ponto, pois expõem a origem do Universo e remontam aos mais variados argumentos da existência de um ser criativo superior, considerado divino. Richard Dawkins, atualmente conhecido pelo best-seller Deus, um delírio, é duramente criticado pelo uso parcial dos argumentos da Biologia. O problema filosófico da definição do nada (nihil), abordado por Niestchze, também encontra contestação ao longo dos últimos capítulos o qual leva em consideração também a teleologia.
Por fim, dois apêndices enriquecem mais ainda o conteúdo do livro: o apêndice A é uma crítica ao chamado “novo ateísmo”, escrita por Roy Abraham Varghese e que também leva a autoria do prefácio. A abordagem é baseada em cinco pontos pelos quais o novo ateísmo não consegue explicar, são eles: a racionalidade, a vida, a consciência, o pensamento e o ser; já o apêndice B aborda o aspecto cristão do livro, é um diálogo travado entre Antony Flew e N.T. Wright, uma das maiores autoridades no estudo do Novo Testamento. Questionamentos sobre a existência de Cristo e sua ressurreição são bem respondidas e levam a uma curiosidade maior para o estudo da história de Cristo.
Um ateu garante: Deus existe, é um livro que aborda, não de forma aprofundada, o que seria impossível, ou seja, vários aspectos da antiga discussão entre teístas e ateístas, colocando novos rumos nos argumentos e propondo novos caminhos e maneiras de pensar.
¹Pág. 30²Pág. 41³Pág. 98


Resenha extraída do site: http://www.dotgospel.com/blog/um-ateu-garante-deus-existe-resenha/

Blair compra «inocência»



O antigo primeiro-ministro Tony Blair anunciou, na segunda-feira, 16, que doará a totalidade dos lucros da venda do seu livro de memórias a uma organização dedicada à reabilitação de veteranos de guerra.
O anúncio do donativo fez as parangonas da imprensa, num momento em que o antigo líder trabalhista é alvo de sérias acusações que o tornam pessoalmente responsável pelo desencadear da guerra no Iraque e no Afeganistão.

Não foi certamente um acaso que a organização escolhida para receber o donativo seja a Battle Back Challenge Centre, um centro de reabilitação de estropiados da guerra que será aberto em 2012 pela Royal British Legion. Para Blair é uma forma de «reconhecer o enorme sacrifício que fizeram pela segurança do nosso povo e do mundo», segundo declarou o seu porta-voz.

Já para a coligação Stop the War (parem a guerra), a operação é meramente de cosmética através da qual Blair pretende «comprar a inocência». «As guerras do Iraque e do Afeganistão resultaram na morte sem sentido de centenas de soldados britânicos e de milhares de civis inocentes. Nenhum dinheiro lavará o sangue das suas mãos», declarou um porta-voz da coligação antiguerra britânica.


Crimes de guerra


Entretanto acumulam-se os factos que justificariam a condenação de Blair como criminoso de guerra. Segundo um artigo do jornalista britânico, John Pilger, na revista The New Statesman (04.08), para além das vítimas mortais, que algumas universidades calculam em mais de um milhão de mortos, há ainda a contabilizar quatro milhões de deslocados iraquianos e uma maioria de criança que sofrem de traumatismos e subnutrição. O número de casos de cancro nas cidades de Falloujah, Najaf et Basra (esta última «libertada» pelos britânicos) é superior aos registados em Hiroxima.

Em 22 de Julho passado, o secretário da Defesa, Liam Fox, declarou no parlamento que «as forças britânicas utilizaram, em 2003 no Iraque, 1,9 toneladas de munições com urânio empobrecido» Outras armas antipessoais tóxicas, como bombas de fragmentação, foram empregues pelas forças britânicas e americanas.

Esta carnificina, sublinha John Pilger, foi justificada por uma série de mentiras sucessivamente denunciadas. Em 28 de Janeiro de 2003, Blair declarou no parlamento: «Sabemos que existem ligações ente a Al-Quaeda e o Iraque». No mês passado, a antiga directora-geral das informações do MI5, Eliza Manningham-Buller, declarou perante a comissão de inquérito Chilcot: «Não existe nenhuma informação credível que indique tais ligações (…) [foi a invasão] que proporcionou a Ossama Ben Laden a oportunidade para uma jihad no Iraque». E interrogada sobre de que forma a invasão aumentou o perigo de terrorismo contra a Grã-Bretanha, a antiga responsável do MI5 respondeu: «significativamente».

Documentos publicados pelo tribunal supremo provam que cidadãos britânicos foram sequestrados, detidos e torturados com o conhecimento de Blair. Em Janeiro de 2002, Jack Straw, então ministro dos Negócios Estrangeiros, decidiu que a prisão de Guantánamo era a «melhor forma» de garantir que cidadãos britânicos permanecessem «detidos com segurança».


O dinheiro da guerra


Desde que deixou o cargo de primeiro-ministro, Tony Blair acumulou uma importante fortuna que é estimada, segundo Pilger, em 20 milhões de libras esterlinas (24,3 milhões de euros). Uma grande parte deste dinheiro, Blair deve-o às estreitas relações com a administração Bush. Embora não se conheça quanto recebeu pelos «conselhos» que prestou à família real koweitiana, nem ao gigante petrolífiero sul-coreano UI Energy Corporation, é publico que aufere anualmente cerca de dois milhões de libras como conselheiro do banco JP Morgan, a que se juntam remunerações de outras entidades financeiras, bem como milhões que lhe são pagos pelos discursos. Só um deles, proferido na China, rendeu-lhe 200 mil libras.

O jornalista britânico não esquece igualmente o trabalho «benévolo» de Blair enquanto «emissário de paz» no Médio Oriente. Para além das despesas de deslocação, Israel concedeu recentemente ao «emissário» um milhão de dólares a título de «prémio da paz». Concluindo, John Pilger sublinha que a fortuna de Blair aumentou rapidamente depois de ter desencadeado com George W. Bush um banho de sangue no Iraque.
http://www.avante.pt/pt/1916/europa/110111/

Lucro de memórias destinado à caridade....




Há muito mais em Tony Blair - A Journey (Uma Viagem, um título mais modesto do que a versão pré-anunciada de Tony Blair - A Viagem) do que o ajustar de contas que ontem encheu as manchetes dos jornais e das televisões. Há o Iraque e a defesa de uma decisão que marcou o seu legado como primeiro-ministro; revelações como a de que bebia "perto do limite" e que isso o ajudava a lidar com o stress; revelações sobre os bastidores do poder e uma avaliação orgulhosa de um "grande governo reformista". Mas nada é tão forte como as palavras que dedica ao seu ex-ministro das Finanças e ao conflito surdo que mantiveram durante anos.

"As memórias de Tony Blair fazem-me lembrar a extraordinária entrevista da princesa Diana ao [programa] Panorama. Confirmam que aquilo que foi noticiado sobre o que acontecia nos bastidores era apenas metade da história", escreveu no seu blogue o editor de política da BBC, Nick Robinson. Uma das histórias nunca contadas é a da suposta chantagem feita em Março de 2006, na "mais feia das reuniões" entre os dois: Blair conta que Brown terá ameaçado explorar o escândalo que na altura ensombrava o Governo (a troca de lugares na Câmara dos Lordes por doações ao Labour) se Blair não travasse a reforma do sistema de pensões - o que acabou por suceder.

http://www.publico.pt/Mundo/blair-diz-que-brown-foi-o-desastre-politico-que-ele-previu-mas-nao-conseguiu-evitar_1454042